bolo com água de flor de laranjeiras, cardamomo e iogurte

13 Comments

guildford grammar school-50

guildford grammar school-52Nesta época do ano acordo no escuro e volto para casa no escuro. As horas de luminosidade são bem curtas. E se o dia  é um de ‘fog’,  bem, muito menos luminosidade ainda. Entretanto, quando há luz ela é resplandecente. Uma luz dourada que muitas vez é quase como uma extensão das folhas caídas no chão. Quando pela manhã pego o trem das 653, ao nos aproximarmos de Londres o sol está começando a dar o ar das suas graças e muitas vezes um lado do céu é coberto por uma ‘manta’  como que lilás claro que nos faz querer parar o tempo somente para admirar tamanha beleza.  Tenho amigos fotógrafos que esperam ansiosamente os lindos dias outonais para desfrutar desta luminosidade. Confesso que às vezes não consigo parar de falar sobre isso. Detesto trabalhar em um prédio imenso, com umas 400 pessoas por andar. Graças a Deus houve um remanejamento de espaço e agora estou mais perto de uma janela. Há mais luminosidade. Há umas duas semanas trabalhei para uma instituição que limpa os rios. Passei meio dia ao ar livre, limpando as margens do Rio. O ar gelado, o sol com aquela luz dourada que não esquenta nada mais acrescenta uma mágica ao ar …tudo isso me fez bem mais feliz.

guildford grammar school-55 guildford grammar school-56No fim de semana, quando não há chuva, gosto de comer o meu mingau de aveia do café da manhã na mesa no meu jardim. Só para começar o dia enchendo os pulmões com ar fresco. Muitas vezes este é o único momento poético do meu dia. O resto costuma muitas vezes ser consumido com os afazeres mundanos e posso não ter mais oportunidade de ficar ao ar livre, só curtindo os surroundings.

Se tem um bolinho rolando na cozinha – eles normalmente já são feitos com destino certo, depois do mingau tomo um  chá e como uma fatiazinha do bolo. Sim, outono e inverno para pedem ‘a hot cup of tea’. Tomo muitas durante o dia – mugs inteiras. E semana passada rolou este bolinho aqui em casa. Um bolinho sem muito frufru – a não ser pelo cardamomo que não é uma especiaria comum, em muitos lugares difícil de achar. Usei o cardamomo verde.

guildford grammar school-64 guildford grammar school-63A partir do dia 18 estarei de férias, e quero permear meus dias com caminhadas pelo rio que corre por Guildford, passeios pelo Stoke Park, um parque imenso ao lado da minha casa. Talvez umas idas à beira mar. Não há nada como uma caminhada na praia no outono/inverno, e aquele ar , com notas salgadas. E também vou ligar o forno muitas vezes. Estou animada, cheia de planos. E vocês , como está indo o seu dezembro? Em uma semana o inverno começará oficialmente no hemisfério norte, e será verão no sul. Contrastes climáticos, e com características bem locais.

Como terei mais tempo tentarei também dividir mais as minhas experiências. Estou com várias fotos para dividir. Demorei  a fazer este post porque minha bateria havia arreado e não achava o carregador. Depois de uma semana procurando, finalmente o achei hoje pela manha. Então aguarde. Tenha um ótimo fim de semana. E veja a receita do bolo abaixo.

guildford grammar school-66

*as fotos são por ordem: uma rua ao lado da minha casa,  arbustos em uma parque ao lado da minha casa, as duas seguintes são em um pátio interno no prédio da Guildford Grammar school, uma escola tradicional para garotos que se origina por volta de 1506.

Esta receita é de alguém com cujo estilo me identifico completamente – já fiz muitas de suas receitas. Às vezes vejo receitas que me agrado e quando procuro o autor me deparo com o nome dela. Valli Little, editora da Delicious Australiana. Uma inglesa que fez da Australia sua casa.

Ingredients:

Para o icing

Instructions:

*não use iogurte de dieta aqui

**ou qualquer outro óleo vegetal

Unte a sua forma e reserve. Use uma forma de furo no meio – 25 cm. Como já contei outras vezes, sempre unto minhas formas com manteiga derretida e ponho na geladeira até a hora de transferir a massa para a forma.

Pre-aqueça o forno – 180oC.

Coloque a farinha de trigo peneirada, amêndoas moídas, açúcar, fermento, cardamomo e canela em uma vasilha e use um fouet para misturar tudo. Reserve.

Em uma vasilha maior coloque os ovos, raspa de limão, iogurte, duas colheres de água de flor de laranjeira e óleo e bata tudo até ficar com uma mistura homogênea. Depois  acrescente a mistura de farinha em duas vezes. Entre cada adição misture tudo delicadamente com uma colher de metal ou espátula. Transfira tudo para a forma e leve ao forno por uns 30minutos. Faça o teste do palito após 25 minutos. Caso ele já esteja pronto é só retirar do forno. Se necessário deixe por mais uns 5 minutos.

Para o icing:

Coloque o açúcar, leite e 1 colher de água de flor de laranjeira em uma tigela e misture tudo bem. Uma vez que o bolo esteja frio, decore com o icing, e salpique sementes de romã por cima. Dão um lindo toque e trazem boa sorte também.

13 Comments
  • Gina

    Responder

    Tina,
    Tinha visto esse bolo lá no face, mas só agora consegui chegar aqui. A questão do tempo é sempre um problema, principalmente nessa época.
    Esse lugar é lindo e acho que Curitiba tem algumas “semelhanças”, como o frio, o fog e, por vezes, o sentimento meio depressivo que abate as pessoas. Desculpe, mas sou movida à energia solar e torço o ano todo pela chegada do verão, mas estoou morando aqui e não pretendo sair. Coisas da vida…
    Agora, esse bolo tem tudo que me agrada e tenho os ingredientes em casa. Isso que chamo de tentação!!
    P.S.: “Bora” fazer um encontro em BsB?
    Bjs.

  • Suzana

    Responder

    Valentina querida,

    Luz de Outono é linda, linda e na companhia dos seus bolos maravilhosos, há pouca coisa que possa ser melhor. Quero muito experimentar essa combinação de água de flor de laranjeira e cardamomo!

    Beijos (muitos)*

  • Danielle Carneiro

    Responder

    Olá Valentina! Que belo bolo!
    Férias é tudo que tenho sonhado, também terei em breve.
    Vc virá ao Brasil? A Zezé irá organizar um encontro!
    Bjs

  • Patricia Scarpin

    Responder

    Tina, também adoro Valli Little, suas receitas são lindas e deliciosas. Eu andei de olho neste bolo, marquei para fazer depois da série de Natal. Agora que vi que vc gostou quero fazê-o mais ainda.
    Bj, querida (tão bom ver postagens novas por aqui, senti falta).
    <3

  • Claudia Lima

    Responder

    O lugar que vc mora, parece paradisiaco para mim. Deve ser um relax e tanto, tão diferente daqui.
    O bolo ficou lindo e gostei do toque das sementes de romã.
    Feliz Natal e aproveite suas férias! 🙂

  • Renata Boechat

    Responder

    Minha amiga, gosto de ver você postando suas delicias novamente,
    As fotos, sempre lindas, me dão vontade de viajar, mas ando cansada, preferindo mesmo fazer isso sem sair do lugar…tem sido possível…rsss
    Cardamomo e flor de laranjeira, acho que eu gostaria dessa combinação,

    Abraço pra você, tudo de bom
    Renata

    • valentinajacome

      Querida Renata, vc eé tão especial para mim. VC pode nao acreditar, mas embora nao te visite sempre, isto acontece com todos os blogs. Sou time poor.mas te adoro. e para mim tuas maos de fada sao um presente de Deus.nAinda nao fui a BH depois de comecar com o blog.E quando for tenho que te ver. em ingles o ‘must’ traduz isto bem. Feliz natal querida!! gosto tanto de ti

  • Marcia

    Responder

    Olá querida Valentina!!!
    O bolo deve ficar muito bom, farei em breve, Quanto ao Outono/inverno, eu os adoro, gosto do frio, nessa época tenho ânimo e se eu adoro cozinhar sempre, nesse período adoro ainda mais.
    Adoro o Natal, para mim é a melhor época que existe, então estou enviando uma mensagem Natalina e desejo a todas que aqui se correspondem , mas principalmente a você Valentina, Feliz Natal , Boas Festas e um maravilhoso início de Ano, repletos de amor, alegria , Paz, felicidade, saúde, fé,luz e força. Que Deus as abençoe a todas.
    Segue a Mensagem: Desculpe por ser tão extensa.
    DIÁRIO DE UM PERU DE NOBRE LINHAGEM.

    15 de Dezembro – Estranho…ontem, quando adormeci, estava muito bem instalado num magnífico viveiro de duralumínio, na Mansão dos Bells. E
    agora encontro-me neste quintal miserável, vigiado pelo olhar irônico de um reles papagaio. Que terá acontecido? Lembro-me vagamente de um sonho em que um homem corria com um saco ás costas e um guarda noturno apitava e berrava atrás dele.
    Pega Ladrão – pega ladrão…
    Teria sido mesmo um sonho? Bem, vamos aguardar os acontecimentos.
    17 de Dezembro – Agora sei mais ou menos aonde estou e o que realmente aconteceu. Ouvi duas mulheres conversando sobre o muro e uma delas dizia:
    -Meu marido comprô um galinhão que só vendo! E custô barato, sabe?Cem Mangos. O home que vendeu disse que era uma liquidação da Rua Augusta.
    Custei a perceber que o galinhão era eu. Imaginem… eu, um legítimo papo vermelho, descendente direto mais nobres perus de Yorkshire, xingado assim de galinhão por uma Plebéia! Jamais fui tão ofendido.
    19 de Dezembro – Já sei o que me espera. Ouvi ontem. Vou ser deglutido no Natal. Isso não seria nada – já que esse é o destino histórico e folclórico dos de minha raça – não fosse um detalhe humilhante, vou ser comido sem estilo, sem recheio de farofa, por uns pobres diabos que, além do mais, me confundem com um miserável galináceo superdesenvolvido. Ai, meu Deus, que inglório fim para um papo vermelho de sangue azul !
    21 de Dezembro – Vou ser sacrificado em desacordo com a tradição e cozido numa panela de de ferro fundido, num fogão de carvão, enquanto meus irmãos serão solenemente assados em fornos eletrônicos. Só me resta um consolo: vou matar a fome de algumas infelizes crianças. São quatro. Eu as vejo diariamente, pois elas passam horas a fitar-me e , às vezes, até me alisam as penas com muita ternura. Há um moreninho muito simpático e carinhoso. Ontem ele me beijou de leve. Que olhinhos tristes tem o Guri! Ah, creio que estou ficando muito sentimental! Sinto-me, em verdade, como um mártir.E me enternece a idéia de que pelo menos por um dia estas crianças terão carne saudável e abundante.
    23 de Dezembro – O homem e a mulher discutiram por mais de uma hora a meu respeito. Parece que estavam em desacordo, pois ele pretendia picadinho de galinhão com arroz e ela insistia na sopa.
    Ouvi o argumento: Soa rende mais, Bastião, dá prá dois dias…
    As crianças olhavam em silêncio. Parece que vi uma lágrima deslizando pelo rostinho sujo do menino que me beijou.
    24 de Dezembro – Creio que devo despedir-me e encerrar aqui meu diário. Hoje é o dia do sacrifício. Devia estar triste, amedrontado, mas, em vez, sinto-me orgulhoso. Já não me importa ser deglutido sem classe e sem tempero. Sinto, hoje que um peru pode ser algo mais do que um tradicional prato Natalino. Sou um peru feliz, porque minha morte vai dar um pouco de alegria a meia dúzia de pessoas. Estão todos lá dentro agora. Que estaria se passando por trás daquela porta? Ouço sussurros,`as vezes a voz colérica do homem e….choro de crianças.
    25 de Dezembro (NATAL) – Estou salvo! Não fui sacrificado ontem. Conjecturei a noite inteira sobre o porque desse fato inusitado. Imaginem só…um gordo, jovem e saudável peru, assistir, deslumbrado, ao raiar do sol numa formosa manhã de Natal. Bem cedinho os garotos saíram aos saltos e me abraçaram comovidos e alegres. Desta vez todos me beijaram, como se eu fosse uma fada da carochinha. O moreninho, aquele mais carinhoso, repetia a todo o instante.
    -O Pai é bom , galinhão, o pai é bom pacas!
    -Depois eu vi o homem na porta. Ele chamou a mulher. mostrou os meninos brincando comigo e comentou, com uma voz bastante embargada:
    -Num falei ,Maria, num fali? Óia só a risada dos pilantrinha, óia.
    A mulher enxugou os olhos num pano de prato:
    Ocê tava certo, Bastião… num ia dá prá todos mesmo!…. Agora ele fica de instimação, num é? Fica o mascote da famia.
    Eu fiz glu glu glu para alegrar os meninos. Depois chorei muito. É que eu sou o galinhão mais feliz do mundo.

    • valentinajacome

      Macia querida, we go a long way back. E estas sempre sempre no meu coracao. A viagem a Recife ainda tem que acontecer para nos encontrarmos. mas para mim es an old friend. um natal lindissimo para vc e familia.xx

  • Naty Barata

    Responder

    Valentina vou experimentar este bolo de certeza, Talvez no Natal.
    Se eu comparar a luz de Londres com a de Lisboa, Londres vai perder de certeza, mas a luz dos dias de Outono é linda em qualquer parte do hemisfério norte. Eu tenho o privilégio de ver o nascer do sol das janelas da minha casa, embora à hora em que nasce eu já esteja de saída dá sempre
    para ver um lindo céu. Moro perto do rio e por isso também tenho alguns dias de fog que por vezes só levanta a meio da manhã. Para além da temperatura em media “0 a 9 Celsius” pouca diferença terão os nossos Outonos. Bem Haja pelas suas partilhas e até breve.

    • valentinajacome

      Oi Naty, vc parece ter uma vista privilegiada das janelas da tua casa. Tanto por ser perto do rio como por ser para o nascente do sol.. Adoraria saber se vc fizer o bolo. Bom domingo!

  • erica

    Responder

    Valentina, AMEI Londres (é a cidade do meu coração!), mas realmente a pouca luz, o sol frio, etc, etc são coisas que me entristecem. Só vc p ver poesia nisso e conseguir me contagiar, me fazendo até ter saudade disso… Comentei no ultimo post, e volto agora p isso: quero te ter sempre por aqui! Vida eterna! Bjs

    • valentinajacome

      Erica, creia em mim quando digo que nao eh alll about bad weather. 🙂 Ha dias lindos e de temperatura bem agradavel. Volte sempre

Leave a Comment