Torta de ‘custard’ com tomilho e framboesas

21 Comments

Há dias em que a gente acorda com tanta preocupação na cabeça, e muito facilmente a energia da gente pode ficar baixa. Hoje acordei assim. Mas não queria ficar presa neste estado de espírito então resolvi sair para ir dar um passeio pelo campo, para ver se os ‘bluebells’– minhas flores favoritas nesta época do ano, já estão por aí. Já cedo o dia estava bem cinza, com aquele cheiro de chuva no ar. Peguei minhas wellies (wellington boots), uma capa de chuva, uma mochila, minha máquina, e me mandei. Tenho um lugar favorito aonde sempre gosto de procurar bluebells – o Winkworth Arboretum. Mas desta vez passei na casa de uns vizinhos no caminho e eles me falaram de um outro lugar, o Hatchlands Park. Gostei da idéia, olhei no mapa e vi que fica bem próximo. Na verdade fica na mesma distância do Arboretum, só que para o lado oposto. E como ainda não havia estado lá resolvi ir.

A estrada que leva ao Hatchlands Park é bem bonita, um pouco estreita, com árvores extremamente verdes. Dá vontade de sair do carro e andar. A caminho passei pela entrada de uma outra linda propriedade, a Clandon House. Outro dia posso contar sobre ela. Li que o  prédio principal do Hatchlands Park foi construído em 1750. É uma linda e imensa casa de tijolos vermelhos, no meio de uma imensa área verde. Nesta casa está uma coleção imensa de instrumentos musicais de teclados, alguns associados com J.C. Bach, Chopin e Elgar.

Não entrei na casa hoje, pois cheguei à propriedade antes do horário oficial, então só passeei pela área verde que é imensa. A propriedade pertence à National Trust, e como sou sócia é só levar a carteirinha e pronto. Apesar da chuva o passeio foi muito agradável, e me levantou a moral. Não resolveu os meus problemas mas me fez ficar mais tranqüila. Este é o poder dos elementos naturais. Uma das coisas que gosto muito é de que moro a poucos minutos de muitas áreas muito bonitas, e posso sempre tirar umas 3 horas no fim de semana para recarregar as minhas ernergias.

Na volta preparei um frango bem saboroso, e comi esta sobremesa deliciosa que sobrou de dois dias atrás. O recheio da torta é  ‘custard’- não sei como o chamamos em português e por isso deixo aqui o nome em inglês mesmo. Custard é feita com leite ou creme de leite fresco, ovos, açúcar a amido de milho. Normalmente se consome custard quente como acompanhamento de sobremesas. Para fazer esta custard fiz uma infusão com tomilho. E as framboesas utilizadas dão uma leve cortada no doce da custard. Para servir se usas algumas framboesas frescas. O resultado final é uma sobremesa gostosa, e com um toque de frutas.

Ingredientes:

Para a massa:

  • 100g manteiga sem sal
  • 100g açúcar
  • 3 gemas de ovos grandes
  • 200g farinha de trigo
  • Pitada de sal

Para o recheio:

  • 2 ovos grandes, mais 3 gemas
  • 125g açúcar
  • Sementes de 1 bago de baunilha
  • 2 colheres de chá de amido de milho
  • 600ml de creme de leite fresco
  • 5 ramos de tomilho
  • 120g de framboesas

Preparo:

Da massa:

Bata o açúcar e a manteiga até ficar com uma mistura cremosa. Acrescente as gemas um por uma, batendo bem após cada adição. Por fim acrescente a farinha e a pitada de sal e misture para formar uma bola. Costumo usar uma colher de pau para misturar tudo e depois uso as mãos, e transfiro para uma tábua untada para abrir a massa. Revista a massa com plástico PVC e leve à geladeira por uns 30 minutos.

Ligue o forno – 180oc. Pegue uma forma de torta de fundo solto e deixe à mão. Retire a massa do forno e transfira-a para uma superfície limpa. Revista a massa com plástico PVC e abra com um rolo. A massa deve ficar bem fina. Transfira a massa para a forma, faça uns furos com um garfo, revista a assadeira com papel manteiga, coloque uns feijões por cima e leve ao forno por 10 minutos. Retire do forno após os 10 minutos, retire os feijões, o papel manteiga, pincele a massa com clara levemente batida e devolva ao forno por 5 minutos. Transfira o recheio para a massa, jogue as framboesas na massa, salpique com folhas de tomilho e leve ao forno por uns 25/30 minutos. Retire do forno, deixe esfriar e sirva com algumas framboesas frescas.

Do recheio:

Coloque os ovos e gemas numa vasilha e bata um pouco com um fouet/garfo. Acrescente as sementes de baunilha, o açúcar, e o amido de milho e bata mais. Numa panela coloque o creme de leite fresco e os ramos de tomilho e leve ao fogo até dar ponto de fervura. Derrame  a mistura na panela com o creme de leite e mexa até começar a engrossar. Quando a mistura estiver grossa, desligue o forno.

21 Comments
  • Fernanda

    Responder

    Oi Valentina,
    vc mais uma vez supera!rs Adorei a combinação dessa torta doce com tomilho! Suas fotos sempre são lindas e suas receitas show! Já fiz algumas de suas receitas e essa com certeza será feita em breve! Bjao Fe;)

  • photoarte

    Responder

    Fotos lindas, que lugar maravilhoso este onde vc mora.
    Um privilégio com certeza.
    E esta tortinha é de uma delicadeza…..imagino a gostossuraaaaaaaaaa rs
    Trem bão dimais da conta sô!!!!!
    bjsss
    sandra

  • Ameixinha

    Responder

    Quando estou chateada ou com problemas, gosto muito de andar alguns km a pé! Não tenho esses lindos jardins por aqui mas sempre dá para dar uma aliviada à alma 🙂
    E quando estamos com problemas, não há nada como comer uma sobremesa bonita e deliciosa. As tartes ficaram uma beleza!

  • Sabrina

    Responder

    Chique no úrtimo!!! Imagine só eu escrevendo no meu blog: acordei meio mal e resolvi ir ao Parque do Ibirapuera ver os pinheiros e … Não é a mesma coisa! Rs… Lindas fotos! Bjs

  • Simone Izumi

    Responder

    Tina,
    fiquei fascinada pelos tons de sua tortinha!
    Que amarelo vibrante…que framboesa fabulosa!
    E tomilho??
    Tu está virando uma bruxinha fabulosa…o seu caldeirão fumegante cheira muito bem!
    bjocas
    si

  • Gina

    Responder

    … que chama a atenção.
    Boa semana!

  • Gina

    Responder

    Que parques lindos! Sabe o que penso sobre os lugares? Sempre há como encontrar beleza, o “feeling” faz diferença. Mas a natureza nos brinda com detalhes, que tenho imenso prazer de descobrir a cada dia, nos meus passeios matinais. Fico acompanhando a passagem das flores para os frutos, fotografo cada etapa.
    Esses sinos azuis são uma graça!
    Ainda estou pensando na melhor maneira de usar o lemon curd que você me mandou. Alguma sugestão?
    Essas tortinha me parecem doces na medida do meu paladar e com uma aparência

  • graça abreu

    Responder

    Valentina! sou fanzona do teu Blog!falas l tão bem, de tudo que a impressão que temos, é que estamos nestes mesmos lugares que descreve. Hum! e as receitas! que capricho!

    • valentinajacome

      Oi Graça, obrigada. volte sempre sempre. Assim passeias mais comigo

  • Ana Powell

    Responder

    Esta tua deliciosa sobremesa abriu-me a alma, uma autêntica joia.
    Adorei as fotos, os meus parabéns x

    • valentinajacome

      Obrigada Ana. Esta torta fica bem na medida certa do doce. esta na última delicious.

  • Leila

    Responder

    Eu tb preciso recarregar minhas energias mas esse tempo chato nao me animou a sair de casa. Ontem fiz teus biscoitinhos de amendoas e nozes mas usei farinha de sorgo no lugar da farinha de grao de bico. Ficaram otimos.
    te cuida e boa semana.
    bjs

    • valentinajacome

      Leila, a gente tem que encarar o tempo. Sai de casa ontem com um ceu cinza, e peguei até chuva. mas tambem tive momentos otimos, entre as caidas de chuva tinha uma luz linda. isso é imperdível.

  • Téia

    Responder

    Tina, ME MATA…DE VONTADE!!! Achei perfeita esta torta, o colorido está um escândalo e a cremosidade aparece nas fotos. Você realemente é privilegiada com estas paisagens tão perto de ti. Acredita que não conheço o Velho Mundo? Acho que em breve estarei por aí, só que a primeira parada será Lisboa e Paris, não sei se o dindim vai permitir chegar até a Inglaterra, mas um dia vou conhecer estes cantinhos tão bucólicos e espaciais de perto. Bj grande queridona.

    • valentinajacome

      téia querida, agende ai. O interior da Inglaterra é muito bonito. E dou sorte por estar numa zona particularmente cheia de atraçoes. A cor do creme é por conta dos ovos de granja, amarelinho,né?!

  • Claudia Lima

    Responder

    Amei as árvores das fotos. Que coisa linda!
    A natureza tem um poder incrível e as vezes a gente passa do lado de coisas lindas e nem vê.
    As tortinhas ficaram um charme. Eu gosto muito de porções individuais.
    Eu chamo esta custard de Creme Inglês.
    Bjs e boa semana 🙂

    • valentinajacome

      Cláudia, estas arvores da primeira foto sao muito bonitas mesmo. e elas tem um tronco bem escuro. como chovia nao deu muito para capturar a cor realmente. Mas fazia um lindo contraste com o verde e com as flores. Obrigada pela traduçao. já vou anotar para colocar na proxima receita.

  • lily

    Responder

    Olá como vai?
    Conheci seu cantinho há pouco tempo e já visitei a maioria dos seus posts antigos, tão encantada fiquei com o blog.
    Adorei as suas receitas e as suas fotos são uma inspiração.
    Eu vivi na Inglaterra por 5 anos e sinto muitas saudades.
    Principalmente destes passeios pelo countryside.
    Viajei com suas fotos tão lindas, e não deixei de sentir uma certa melancolia, já que a primavera sempre foi meu periodo favorito.
    Grande abraço, me tornei sua fã.

    • valentinajacome

      lily, obrigda pela visita. que bom que tem coisas aqui com as quais vc se indentifica. Em que parte da Inglaterra voce viveu?No NOrte? Acabei de voltar de um passeio em que fui ver as bluebells que estao colorindo os campos de azul. Sairam tarde este ano, mas nem por isso menos bonitas.Volte sempre.

  • Patricia Scarpin

    Responder

    Tina, estou encantada com as tortinhas, tão lindas e delicadas – se tem frambroesa, já amei. E fiquei intrigada com o uso do tomilho aqui – deve ter ficado super diferente!

    • valentinajacome

      Pat, o tomilho da so um hint,Muito sutil.adorei pois eh unsualk. Tem que ser tomilho fresquinho. Ela nao eh uma torta muito doce. vai bem com um cafezinho ou cha – como estou fazendo agora.

Leave a Comment