Pãezinhos glaceados

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Na Inglaterra do século 13 as pessoas não tinham forno em casa, então viviam a mercê de padeiros para ter o seu pão. Em 1266 foi lançada uma lei para colocar Standards na qualidade dos pães. A regulagem era feita quanto ao preço, peso e a qualidade esperada do pão. Havia um grupo que assegurava que a lei fosse respeitada e os infratores eram levados a uma corte especial. O padeiro que não fizesse pão de acordo com as regras estipuladas era preso e arrastado pela City of London para mostrar que você estava fazendo pão ilícito, e ele era levado para uma praça aonde era colocado em uma espécie de Pelourinho para levar fruta podre na cara, jogada pela multidão que se aglomerava. Este controle e humilhação era para parar com pessoas que tentavam colocar teia de aranha, areia e outros produtos ilegais na massa. Pois é, você leu certo – teia de aranha. Os padeiros que insistissem em continuar a fazer pães ilegais apesar de serem apreendidos, na 3ª vez em que fossem pegos tinham seus fornos destruídos pelos oficiais de justiça ‘panificadora’ – se tal termo existe. Desta forma eles nunca mais poderiam produzir pães ilegais. Esta lei vigorou até o século 19.

Me alivia saber que tal lei não vigora mais. Não que eu tenha colocado objetos ilícitos e não comestíveis nos meus pãezinhos, mas porque eu fiz algumas coisas levemente diferentes com uma pequena alteração na cobertura padrão, e também dei formato diferente aos pães. Estes pãezinhos glaceados são parte da tradição destas ilhas, e aparentemente houve uma época em que tinha mais padarias, e eles eram procurados. São conhecidos como iced fingers. É um pãozinho gostoso, a massa não muito doce. Fácil de trabalhar, e se você seguir à letra vai dar certo. Coloquei um pouco de essência de coco em uma parte do glacê, só para dar um toque diferente. Acho que se a tal Corte de Panificação ainda existisse talvez tivessem me dado uma repreensão por esta violação, e quem sabe umas frutas podres tivessem acabado na minha cara. Sim, porque com aquele controle total não havia espaço para a criatividade.

Pãozinho glaceado

sem fonte

Ingredientes:

  • 14g fermento instantâneo
  • 75ml leite tépido
  • 250g farinha para pão
  • 25g açúcar
  • 1 colher chá de sal
  • 20g manteiga amaciada
  • 1 ovo médio
  • 70ml água

Preparo:

Coloque o fermento no leite, mexa levemente e reserve.

Coloque a farinha de trigo, açúcar e sal em uma vasilha e misture para combinar. Coloque a manteiga e misture com as mãos até ficar com o aspecto de farofa. Faça um buraco no meio da massa e derrame o leite, ovo e água. Misture com uma colher de pau até  a mistura ficar macia. Confesso que usei as mãos. A mistura é um pouco pegajosa. Deixe descansar por uns 10 minuto. Polvilhe uma superfície levemente com farinha de trigo, jogue a massa nela e trabalhe a massa por uns 8-10 minutos. Transfira para uma vasilha, cubra, e deixe descansar por uma hora em um canto da cozinha sem corrente de ar, até a massa dobrar de volume.

Tranfira a massa para uma superfície levemente untada, e dê um leve socada na massa, Divida-a em partes iguais e faça bolinhas com os pedaços de massa. Transfira as bolinhas para forminhas ou uma assadeira. Cubra tudo e deixe a massa descansar por uns 30 minutos. Enquanto isso ligue o forno – 200oC.

Transfira as forminhas com massa para uma assadeira e leve ao forno para assar por uns 10 minutos. Caso tenha colocado para crescer em uma assadeira diretamente.Quando ficarem prontos retire do forno e ponha em uma grelha para esfriar.

Prepare o glaceado com 300g de açúcar de confeiteiro 3 duas colheres de sopa de água, e derrame por cima dos pãozinhos na hora de servir.

Deixo aqui um vídeo em que Paul Hollywood faz Iced fingers com Mary Berry. O vídeo é em inglês. Ele dá várias dicas ao longo do preparo.  O preparo do glacê que ele aplica é bem unusual. O meu é de consistência bem mais líquida. O vídeo é de uma série que passa aqui a cada 6 meses – ou será a cada ano? Chama-se the Great Bake Off.

12 Comments
  • Dani Carneiro

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    Esses pãezinhos lembram as roscas que minha avó fazia! 🙂

  • Cristina

    Responder

    Bem interessante Valentina, normalmente não temos o menor conhecimento desses fatos, ainda bem que vivemos hoje!rs,
    Gostei muito da receita e do vídeo e todos os formatos são lindos!
    Bj,

  • Patricia Scarpin

    Responder

    Tina, que história interessante, não sabia disso!
    Os teus pãezinhos ficaram lindos, amiga.

    • Trembom

      Há muitas histórias para se descobrir. ; o ) adoro quando me deparo com fatos como esse Pat.

  • Érica

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    Adoro esse tipo de pão, é delicioso. Os teus ficaram lindos.
    bjs

    • Trembom

      Obrigada Erica. No vídeo vc pode ver uma variação deste mesmo pãozinho, em que ele é recheado também.

  • liloca

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    Pois aqui no Brasil deveria haver leis mais rígidas em relação ao nosso pãozinho francês de cada dia.

    • Trembom

      Liloca,, já estou fora há muitos anos então não tenho conhecimento. Mas imagino que devam haver normas para regulagem de fabricaçao de pãe.

  • Vanderleia

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    Olá receita linda e apetitosa.Anotarei com certeza.Radical a lei, mas garantia qualidade dos produtos aos consumidores.Ainda bem que agora você pode usar sua criatividade sem levar frutas podres na cara.Senão como seria o blog sem essas delicias criativas.Beijos e tudo de bom.

    • Trembom

      Leia, adoro descobrir histórias deste tipo. Tantas coisas já se passaram no mundo da culinária. Agora adoro os tempos em que vivemos, em que há tantas possibilidades de criação.Pode-se pegar uma receita tradicional, e dar uma roupada nova,, sem comprometer a íntegra da receita.

  • Letícia

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    Lindos e tentadores… e que história curiosa! Beijos!

    • Trembom

      Curiosa, não?! Até hoje ainda se mantem o cargo das pessoas que iam atrás do infrator. Só que é so para enfeite.Os cargos sao simbólicos e nenhum forno é esmagado, ou pessoas são humillhadas em publico pela má qualidade de seu produto – ou falta de qualidade.

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