Meu Prato Favorito

11 Comments


Um dia, sei lá porque razão, fiquei puxando na memória para lembrar o que gostava de comer quando pequena. E lembrei de bolacha maria na casa da Vovó, embrulhada em papel de bodega, os pedaços de carne que minha tia fazia para mim na brasa, e creme de graviola na casa da tia Marlene, e bife de baleia na casa da minha madrinha em Fortaleza, e pão massa grossa partido ao meio com manteiga e salpicado com açúcar – parecia céu estrelado…E lembrei de abiu, que grudava os lábios ao comer, e cacau no quintal da minha amiga Carla nas férias, e peixinho frito na praia de Salinas, e sapoti, e manga, e caranguejo a toque na AABB de Belém. Todas estas coisas eram boas e ficarão comigo pro resto da minha vida. Só que nenhuma delas me vinha à mente como ‘meu prato favorito’. Então resolvi perguntar à minha mãe. E ela me disse sem titubear, sem dar pausa para o pensamento: “Estrogonofe”. Fazia até para teu aniversario”. E de repente lembrei meio que vagamente de como estrogonofe havia sido sempre muito presente na minha vida. Houve uma época em que contava que era muito popular no Brasil. Mas talvez esta minha idéia tenha sido por conta da minha memória.
A conversa do estrogonofe me fez questionar a minha mãe outras vezes e descobri também que: adorava água de coco – chegava à casa do meu avô e pedia para pegarem coco no quintal para tirar a água; adorava bolinhos – tinham que ser pequenos e me recolhia com eles a uma mesinha na então casa onde morávamos para brincar e depois devorá-los.
Fiquei aliviada por ver que várias pessoas foram questionar mães, avós. Me senti menos incompetente no quesito memória. Meu irmão tem uma memória poderosa, lembra de detalhes incríveis. Às vezes fico lá espremendo todos os cantinhos do cérebro e nada.Ou só gotinhas de acontecidos respingam.
E neste tom lhes conto os ingredientes do estrogonofe da minha mãe. Sem quantias exatas. O meu da foto foi só uma leve lembrança do da minha mãe, que além de ser alguém que cozinha muito bem usa ingredientes jamais reproduzíveis por outros (amor, o querer agradar ao filho ou ente querido). Como a Patricia contou de como se sentiu ao comer a sopa de arroz da mãe dela, a garfada do estrogonofe me levou a uma viagem a um paraíso interior. Irreproduzível.

O estrogonofe da Dona Nilza levava:

Filé mignon
Champignon
Ketchup
Vinho branco – para marinar
Mostarda (não era de Dijon nos dias da minha infância)
Brandy para flambar
Creme de leite
Cebola picadinha
tempero

E o modo de preparo é o de todo mundo que faz estrogonofe. Sempre era servido com batata palha.

Peço desculpas mas a resenha dos emails que recebi com lindos textos e receitas será publicada no sábado dia 3 e não hoje como havia prometido. Tive alguns contratempos e me atrasei. Como vêem o post só esta saindo hoje. Se alguém quiser mandar receita até amanhã dia 2 receberei com prazer.

11 Comments
  • bia

    Responder

    Ver este prato tb me fez lembrar quando eu era criança, pois sempre tinha estrogonofe la em casa, e assim com batata palha e arroz, muito bom ! bjs

  • Juliana

    Responder

    valentina,
    faca a receita de beef stroganoff da fezoca, quando puder. voce vai adorar! 🙂

  • Marcia da Paz

    Responder

    Oi Valentina, vi o “concurso”que vc fez do prato preferido, nossa q momento mágico, pois ande espiando os blogs de algumas participantes, fora os pratos serem lindos, as lembranças, os sentimentos,…….acho q foi uma ideia fantastica essa sua, tem coisa melhor q relembra os momentos bons que vivemos???? Parabens bjs

  • Cinara

    Responder

    Valentina, adorei essa sua iniciativa, e com certeza ela provocou diferente reações em cada um de nós… Eu continuo intrigada, porque não consigo me lembrar de um prato em especial que eu gostasse, e olha que eu sempre fui boa de garfo! Optei por não participar porque senti que it would be cheating, you know? Mas está sendo ótimo ler um pouco da história de cada uma! ;o) Beijão!

  • Akemi

    Responder

    Adorei suas lembranças! Quantas coisas gostosas! E também discordo sobre o seu estrogonofe, deve ter feito com muito amor e nostalgia!

  • fezoca

    Responder

    Valentina, que lindo texto, cheio de lembrancas saborosas e amorosas. Uma linda viagem nostalgica! Eh engracado como as criancas veem o mundo, os sabores, o que eh importante pra elas, e como a comida eh um elo com tudo o que eh emocional. Muito legal. beijaoo,

  • lunalestrie

    Responder

    Valentina, você falou que tem pouca lembrança, mas falou tanta coisa linda que veio na sua memória… eu tenho lembranças nítidas a partir de 2 anos, mas de comida tive que perguntar pra mamãe porque não era chegada em comer (rs) e também porque é mais legal ter uma visão de fora, às vezes nossas lembranças podem ser irreais, já que na infância a gente fantasia muito. Beijocas!!!

  • Agdah

    Responder

    Você agora me deixou com saudades de casa…Ainda ontem, vi bolacha Maria(do México) no supermercado e hoje, olha lá seu post falando na danada. Vou ter que voltar lá por que me deu vontade de tomar café-com-leite, molhando a bolacha antes de comer. Nascer e crescer no nordeste tem dessas coisas, coco verde, caranguejo na praia…

  • Eliana Scaramal

    Responder

    Também adorei o texto. Menina quanta coisa você se lembra de comer na infância?!?! Esse estrogonofe está com certeza carregado de amor e boas lembranças.

  • Dadivosa

    Responder

    Ah, Valentina, que delícia. Se calhar vou tentar mandar minha receitinha a tempo ;***

    Mas olha, discordo de uma coisa… a gente consegue reproduzir o amor, sim senhora! Porém, como é uma amor diferente (porque acredito que não haja dois iguais), pode ser que o gosto mude. Tenho certeza de que seu estrogonofe está carregadinho de amor e ficou uma delícia!
    Beijos

  • Patricia Scarpin

    Responder

    Amiga,

    Adorei o texto. As comidinhas têm mesmo esse poder de nos transportar ao passado. Viagem no túnel do tempo.

    Quanta coisa diferente você adorava comer, adorei saber da frutinha abiu!

Leave a Comment