Creme brûlée de ruibarbo

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Graças aos ‘forced ruibarbos’ (ruibarbos forçados)  temos tido o privilégio de comer ruibarbos em várias formas desde janeiro. Crumbles, tortas, bolos, concentrados que podem ser colocados em limonada ou com proseco, para se comer com iogurte..  Estes que chamamos de ‘forced’ ruibarbos são cultivados numa região do norte da Inglaterra chamada Yorkshire, mais exatamente no noroeste de Yorkshire. Somente 12 produtores cultivam estes ruibarbos, e no ano passado a comunidade européia lhes deu status de alimento europeu de elite, protegido na sua denominação. Assim como de outros 41 produtos britânicos como o queijo Stilton, o clotted cream, etc

Os ruibarbos para serem chamados de ‘forced’ tem que ser cultivados no triângulo entre Leeds, Bradford e Wakefield. É aí que a lei de proteção entra em vigor, protegendo os produtores daquela região. Houve um período em que havia 200 produtores, mas devido a condições pouco propícias de cultivo devido a pouca saída do produto e grande concorrência de ruibarbos vindos de outros países warw número diminuiu significativamente. O cultivo é muito especializado. As plantas são plantadas ao ar livre e quando atingem uma certa altura – depois de 2 anos, as mudas são levadas para dentro, em áreas cobertas e escuras. Os ruibarbos vão crescer a luz de velas em pleno inverno. A pouca luz é a responsável pela suavidade do sabor, uma vez que a luz solar causa a fotossíntese, e isto causa um certo endurecimento dos ruibarbos e um sabor mais ácido. Há inspeções regulares para que se assegure o método de cultivo tradicional. Eles são bem superiores no sabor ao ruibarbo cultivado ao exterior, seu sabor é suave e não ácido como o de seu primo criado ao sol. E sua cor também é bem viva. Se você quiser ler mais sobre esta variedade  – ruibarbos forçados de Yorkshire, veja aqui ou aqui. Neste último link há umas fotos desta variedade dentro dos galpões. Bem interessante.

Devido a esta abundância de ruibarbos, desde janeiro ando me deliciando com eles. Este ano ando enlouquecida com uma receita de geléia de ruibarbo com gengibre. Ótima combinação. Tenho feito também o comum que é de cozinhar os ruibarbos até ficarem macios com um pouco de suco de laranja. Ótimo para se colocar no iogurte natural. Para mim é uma ótima combinação. Ás vezes levo os ruibarbos ao forno ao invés da panela. E a minha inovação este ano foi este creme brûlée de ruibarbos. Tenho um fraco imenso por creme brûlée, e às vezes não dá para resistir. Esta receita é bem simples. Se eu a fizer novamente só a farei um pouquinho menos doces. Reduziria o mel colocado com os ruibarbos, e também um pouco do açúcar do creme. De qualquer forma é muito saboroso. É gostoso chegar no fundo do ramekin com a colher e achar o ruibarbo, dando uma contrastada na textura.

Creme brûlée de ruibarbo

Rende umas 6 porções usando ramekins tradicionais

Feita a partir de uma receita que anotei no meu caderno de inspiração.  A autoria da recetia é Gordon Ramsey.

Ingredientes:

  • 20g manteiga
  • 200g ruibarbo picado
  • 4 colheres de chá de mel
  • Ssementes de 1 bago de baunilha
  • 300ml creme de leite fresco
  • 120ml leite
  • 5 gemas de ovos, dos grandes
  • 60g açúcar, mais um pouquinho para jogar por cima no final
  • algumas gotas de extrato de baunilha

Preparo:

Pré-aqueça o forno – 140oC. Coloque os ramekins na assadeira e reserve.

Coloque a manteiga numa panela de fundo pesado para derreter. Acrescente o ruibarbo, mel e sementes de baunilha. Cozinhe por uns 5-6 minutos em fogo alto, mexendo sempre até que o ruibarbo amacie e comece a se caramelizar levemente. Retire do fogo e distribua igualmente entre os ramekins.

Limpe a panela e leve-a de volta ao fogo, desta vez fogo baixo. Ponha o creme de leite e leite na panela e leve quase ao ponto de fervura. Enquanto isso coloque as gemas numa tigela, o açúcar e o extrato de baunilha. Bata com um fouet para que a mistura fique homogêna. Quando a mistura com o creme de leite estiver quase fervendo, retire do fogo e vá derramando devagar por cima da mistura com o ovo, e fique mexendo a mistura do ovo sem parar enquanto a mistura do creme é derramada. Passe a mistura por uma peneira. Divida a mistura igualmente entre os ramekins por cima dos ruibarbos. Derrame água fervendo na assadeira até que ela atinja a altura da metade dos ramekins. Coloque a assadeira no forno e deixe assar por 40/45 minutos até que o creme brulêe fique meio firme. Não completamente – se você mexer no ramekin notará uma leve flacidez. Retire a assadeira do forno e transfira os ramekins para uma grelha. Uma vez frios leve-os à geladeira até a hora de servir.

Quando chegar a hora de servir retire os ramekins do forno e espalhe açúcar por cima de cada um e use um maçarico para queimar o açúcar e criar a crostinha do creme brûlée. Caso você não tenha maçarico siga a dica do Panelinha aqui – etapas 9 e 10.

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26 Comments
  • Cris

    Responder

    Consegui um tempinho só para mim nesta tarde de vento frio e estou fazendo o que gosto mais em seu blog, lendo suas histórias, suas andanças, apreciando as fotos e imaginando os sabores. Os ramequins são lindos, são de alguma feira? Bjs, bom final de semana!

    • Trembom

      Querida Cris, saudades. Estes ramekins foram presentes de uma amiga do Brasil. Vou perguntar o nome da loja pra mamae. É um lindo jogo, e cada peça é diferente.

  • Ana Paula de Jesus Louvem

    Responder

    Valentina,
    Esse final de semana vou à caça de ruibarbos. Essa receita me deixou com água na boca. E a geléia com gengibre então? Vou testar e depois te falo.
    Saudades.
    Bjs.
    Aninha

    • Trembom

      Ana querida, pois vou querer saber se você fizer este brûlée. Beijos e bom domingo.

  • Téia

    Responder

    Rárárárá, eu já conhecia esta estória dos ruibarbos forçados, que você tinha me contado pessoalmente…Ah, que tempos bons, comendo ruibarbos em Londres e fofocando com a Tin
    a:) É, mas esta receita de creme brulé com ruibarbo eu não conhecia e achei fantástica. Akemi e meninas, para quem não provou é muito gostoso, lembra mesmo uma maçã cozida na textura…e levemente no sabor. Desculpa o sumiço, estou super ocupada, mas sempre venho aqui em todos os posts, ok, amiga? Bj grande aqui de Bsb.

    • Trembom

      Téia querida, vocês só deixaram saudades. Esta receita ficará perfeita quando o açúcar for diminuído.

  • Akemi

    Responder

    Morro de curiosidade para saber o sabor do ruibarbo, dizem que lembra um pouco maçã. Na aparência lembra um salsão, mas a cor é linda, linda. É preciso tirar os fiapos como ele ou não?
    Com creme brulee deve ter ficado um espetáculo, amiga!
    Bjss

    • Trembom

      Querida, as vezes temos que tirar os fiapos sim. Quando você vier me visitar – vai ter que ser entre janeiro e maio, vou fazer tudo com ruibarbos para você e pro Luiz.

  • Ameixinha

    Responder

    Nunca provei ruibardo, desconhecia que levavam tantos anos a crescer. Deve valer mesmo a pena e acho bem que protejam estes produtos 🙂

    • Trembom

      Que pena que não achas ruibarbos por aí. Acho que em Lisboa se encontra. É muito longe para você?

      • Ameixinha

        Cerca de 300 km, é longe e ficaria uma viagem bem cara 😉 Mas vou a Lisboa em breve, pode ser que encontre e consiga trazer!

  • Suzana

    Responder

    Valentina querida,

    Ruibarbo em crème brûlée tem de ser o céu! Gosto muito (tanto, tanto!) de ruibarbo e com uma camada de creme e açúcar queimadinho… Mmmm. Lindas as fotos, querida. Vou ficar a sonhar com uma colherada dessa maravilha. 😉

    beijos muitos!

    • Trembom

      Querida, a próxima visita tem que ser na época de ruibarbos. Vou preparar muitas coisas para a gente.

  • Ivaneide Passos

    Responder

    Pôxa que inveja, gostaria muito de experimentar! rs

    • Trembom

      Ivaneide, será que não achas perto de ti? Estás perto de São Paulo?

  • Marmita

    Responder

    Ficou lindo.. adorei como ficou queimado, deve saber super bem! parabéns, beijos de Portugal

    • Trembom

      Marmita querida, seria bom se fossemos vizinhas para jogar conversa fora enquanto provamos creme brûlée

  • Léia Silva

    Responder

    Querida Valentina
    Nunca comi ruibarbo e nunca encontrei para comprar. Acho que é pelo cuidado do cultivo, como você descreveu!
    Realmente esse creme brûlée de ruibarbos deve ter sido uma inovação!
    Um abraço
    Léia

    • Trembom

      Léia, não achas na Itália? este cuidado no escuro é só para ruibarbos forçados. Os cuidados ao ar livre tem um outro processo.

  • Sylvia

    Responder

    Nunca probei ruibarbo, tenho curiosidade e agora muito mais, depoisde essa explicacao, mas teria que ir a Inglaterra para provar esse sabor suave. Adorei a idea de um creme brûlée assim

    • Trembom

      Sylvia, se fores a algum lugar que tenha ruibarbo vale a pena experimentar.

  • Paulo RT

    Responder

    Acredita que nunca experimentei ruibarbo?
    Sempre olhei, pensei e adiei.
    Adoraria experimentar um especial como esse.
    O crème brûlée ficou muito bonito, com uma bela casquinha e o primeiro “potinho” é um show a parte.
    Já notei que nossos paladares são parecidos, usando açúcar com o cuidado de não ofuscar os sabores que fazem parte da receita. Portanto, teu blog é O grande achado.

    • Trembom

      Paulo, tem tantas coisas que às vezes não experimentamos apesar de estar por perto. confesso que apesar de gostar de fazer coisas novas com ruibarbos, gosto deles mais preparados de forma simples. Recentemente numa geléia que faço. É a mágica do simples.

  • keiko

    Responder

    it looks absolutely gorgeous Valentina – I’m craving it for a midnight snack! xx

    • Trembom

      Sweet Keiko, it did taste quite special.; o ) Shame Suffolk is far and I can’t deliver.; o )

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