Makloube significa ‘de cabeça para baixo’. Este é um prato que tirei do meu lindo livro Saha Uma jornada através do Líbano e Siria. Quando comprei este livro não parava de folheá-lo por sua beleza. O autor, sei que já disse aqui mas repito, é um australiano de origem libanesa. Saha foi o produto de uma viagem que fez pelas terras dos seus ancestrais. Ele documenta a cultura culinária daquela região em seu livro.

Cada receita que tiro deste livro me enche de prazer. E me abre uma nova porta de sabores e combinações. Me fascina aprender sobre os mais variados cantos do mundo, como se come, como se usa os produtos locais. Ver que as possibilidades são infinitas, e muitas vezes o maior charme vem do mais simples.

Este prato fica delicioso, todos os ingredientes devem ser utilizados pois se combinam lindamente. Deliciosamente. Cada garfada foi um prazer imenso.Queria muito ter compartilhado este momento com a minha mãe, que foi quem sempre me apresentou a sabores ótimos e variados. Ela me deu boa comida, sempre. E é uma grande responsável pelo meu paladar ser o que é. E por ver o mundo como o vejo.

Ingredientes para o frango pochê:

1 peito de frango grande com pele e osso para reter todo o sabor

1 cebola pequena cortada em 4 partes

1 talo de salsão

Um ramo de tomilho

2 folhas de louro

1 pau de canela pequeno

½ limão

½ colher de chá de pimenta branca em grão

½ colher de chá de allspice

Para preparar o frango, que recomendo seja feito primeiro, ponha ele e todos os outros ingredientes numa panela e leve ao ponto de fervura. Abaixe o fogo e deixe ferver bem baixinho por 5 minutos. Depois desligue o fogo e deixe o frango na água quente por 20 minutos. Depois retire o frango na panela e transfira para uma tábua. Reserve o caldo pois o usará no arroz.

Ingredientes para o pilaf:

1 berinjela média

Sal

120ml de azeite de oliva

50g de pinoli

50g de amêndoas em lascas

1 colher de sopa de azeite de oliva

1 cebola pequena picada

150g de carne de cordeiro magra moída

½ colher de chá de canela em pó

½ colher de chá de allspice ( pimenta-da-jamaica) em pó

Uma pitadona de sal

250g de arroz

600ml de caldo de frango reservado de quando você fez o frango pochê

Pitada de canela

Pegue a berinjela e corte em pedaços descascados, e bem finos. Ponha os pedaços numa peneira, salpique com o sal. Deixe aí por 20 minutos. Após este tempo lave as berinjelas em água fria e seque com papel toalha.

Esquente o óleo numa frigideira anti-aderente e toste os pinolis.Retire assim que dourarem e transfira para um prato forrado com papel toalha. Faça o mesmo com as lascas de amêndoas. Frite a berinjela no mesmo óleo até que fiquem dourado escuro. O óleo deve ser suficiente. Quando prontas transfira para um prato com papel toalha também.

Esquente a colher de óleo e ponha a cebola para dourar. Depois jogue o cordeiro na panela e refogue até que os sucos da carne não mais estejam mais presentes.Só então jogue as especiarias e o sal, e mexa bem. Acrescente o arroz e mexa bem antes de acrescentar o caldo reservado. Quando ferver baixe o fogo, tampe a panela e deixe cozinhar em fogo baixo por uns 20 min – o tempo que durará para que o arroz cozinhe.

Enquanto o arroz cozinha desfie o frango e reserve. O charme deste prato está na apresentação. Você vai precisar de algo como uma cumbuca para arrumar o arroz e os outros ingredientes.Unte levemente com azeite e arrume o arroz no fundo. Depois disponha as fatias da berinjela por cima do arroz. E por fim arrume o arroz. Quando você desenformar terá um montinho de cabeça para baixo, com três camadas de texturas variadas. Polvilhe com um pouquinho de canela.Guarneça com as amêndoas e os pinoli. Usei hortelã também. A minha apresentação não ficou muito boa mas não se deixe abater. Capriche na sua.

O autor conta que no Líbano o servem com Labneh. O labneh é um queijo fresco que é consumido diariamente tanto no Líbano quando na Síria. A receita caseira que se dá no livro é:

1 kg de iogurte

1 colher de chá de sal

50ml de azeite de oliva extra virgem

O iogurte e sal devem ser misturados e deixados para coar numa peneira forrada com musselina. Amarre as pontas e deixe na geladeira por uns dois dias. Quanto mais tempo o iogurte escorrer, mais firme o resultado final será. Para servir deve ser transferido para uma tigela, e um buraquinho deve ser feito no meio para receber o azeite de oliva.